quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Foi sem querer querendo


A etapa do campeonato de F1 realizada na Bélgica no ultimo domingo foi uma corrida movimentada e ao que se parece ainda não terminou. Spa-Francorchamps sempre nos proporciona verdadeiras corridas de Fórmula 1. No romântico circuito não há corrida chata, e sim, pegas e ultrapassagens, toques e muita polêmica. Neste ultimo domingo não podia ser diferente e pelos acontecimentos e declarações pós Grande Prêmio não consigo deixar de pensar no personagem mexicano Chaves do ator Roberto Bolaños e seu bordão “foi sem querer querendo”.  

Começando pelo episódio com a penalização do Alonso. Seu carro ficou parado na grid de largada no início da volta de largada com os mecânicos da Ferrari ferindo o regulamento mexendo no carro com menos de 15 segundos para a volta de apresentação. Ora, está no regulamento, mas a FIA levou 11 voltas para anunciar a punição do espanhol. Punição só cumprida na volta 12. Na transmissão da rádio Bandeirantes, antes mesmo da largada já anunciavam que o quê ocorreu era motivo de punição. Por que a FIA demorou tanto pra punir? Estavam procurando o regulamento no Google? Ou foi “sem querer, querendo”? Aliás, na transmissão da rádio Bandeirantes a jornalista Alessandra Alves disse que para muitos o significado de FIA era “ Ferrari Intentional AID” no bom português “ajuda intencional a Ferrari”, pois bem, nesse caso o menos prejudicado com a Punição de 5 segundos ao Alonso, foi o próprio piloto.   

Ricciardo venceu pela terceira vez, a segunda consecutiva. Chega mais perto do lideres Rosberg e Hamilton. São 156 pontos contra 220 de Rosberg e 191 de Hamilton e marca de vez seu nome na F1. Já mostrou que não foi sorte de principiante a sua primeira vitória. Como  um bom mineiro, devagar e sempre, vai comendo pelas beiradas e pode sim ser campeão do mundo no seu primeiro ano de Fórmula 1. Ricciardo depois da coorida fez a seguinte declaração: “Vir aqui e roubar alguns pontos que não deveríamos ter é legal”.  Só me faz lembrar novamente do bordão “Foi sem querer querendo”.

E a dupla da Mercedes resolveu brigar mesmo na pista. Depois de ser acusado de errar propositadamente em Mônaco para sair na pole e depois de reclamar de Hamilton na Hungria por não dar passagem a pedido da equipe e de ter sido jogado para fora da pista em uma tentativa de ultrapassagem nas voltas finais, Rosberg tocou com a asa dianteira no pneu traseiro de Hamilton na segunda volta e por pouco não acaba com a corrida das duas Mercedes. A do Hamilton ele acabou e a sua ficou comprometida. Tanto que não venceu e precisou alterar a tática dos pneus para chegar em segundo. No meu ponto de vista foi acidente de corrida, mas que poderia ser evitado. Rosberg foi afoito. Tanto que Toto Wolf e Niki Lauda o culparam pelo baixo desempenho e pelo toque. Rosberg foi vaiado no pódio. Fãs de Hamilton ficaram enfurecidos. A reunião no fim da corrida a porta fechadas da equipe Mercedes já demonstra que a visão não foi assim de acidente de corrida. Button e Massa defenderam punição a Rosberg. Hamilton disse que na reunião Rosberg confessou ter batido de propósito. Rosberg na segunda feira, em vídeo disse que não foi proposital, mas fico aqui imaginando Rosberg com cara de Chaves depois de tomar esporro de Wolf e Lauda, olhando pro Hamilton e dizendo: “foi sem querer querendo” e saindo pela esquerda.

                                                           foto: @RetoF1


A Mercedes deve abrir o olho e controlar mais o ímpeto dos seus pilotos. O que é a Mercedes? Uma equipe com um investimento milionário ou um boteco de beira de autódromo? O quanto de dinheiro e imagem a equipe perde com seus funcionários em pé de guerra? Não defendo as ordens de equipe, muito pelo contrário, mas sim, que pilotos da mesma equipe não façam besteira. Alguém deveria lembrar a equipe Mercedes o que ocorreu em 1986 e 2007. Aliás, o próprio Hamilton deveria lembrar pelo menos de 2007.

Em 1986 a Williams perdeu um campeonato para a McLaren por causa da briga Mansell x Piquet. Alain Prost que não tinha nada a ver com isso, levou seu segundo título mundial. Já em 2007, enquanto Alonso e Hamilton brigavam na McLaren, Raikkonen e sua Ferrari se sagraram campeões do mundo.

Assim, com essa guerra a cada dia mais explicita, o que poderá acontecer? O próximo grande prêmio será em Monza é dia 07/09 e até lá muitas coisas serão ditas e especuladas, porém só quando começarem os treinos livres teremos uma ideia do rumo que o campeonato seguirá.   Cuidado com o João Sorrisão Australiano. 







sexta-feira, 22 de agosto de 2014

1994 A temporada que teima em não terminar


Dando início ao nosso Baú histórico, iremos falar sobre a temporada de 1994 da Fórmula 1. Temporada que teima em não querer terminar. Isto porque vira e mexe os saudosistas lembram-se de 1994 para tentar justificar os maus resultados brasileiros na pista. 

A trágica temporada que tirou a vida de dois pilotos num mesmo fim de semana também marcou até o momento o ultimo capítulo das mortes em pistas na Fórmula 1. Como falei em outro texto, existe um lado bom de tragédias, isto quando se aprende com elas e a Fórmula 1 aprendeu bastante com os acontecimentos do início da temporada. 



                                                     * Foto retirada da internet 


A temporada de 1994 marcou a despedida das equipes Lotus (que retornou à categoria em 2010) e Larrousse e a estreia das equipes Pacific Racing e Simtek. A pontuação dava 10 pontos para o primeiro colocado, 6 para o segundo, 4 para o terceiro, 3 para o quarto, 2 para o quinto e 1 para o sexto.  O campeonato contaria no início com três brasileiros, Ayrton Senna, Rubens Barrichello e Christian Fittipaldi. Estreariam na categoria Roland Ratzenberger, Heinz-Harald Frentzen, Olivier Panis, Olivier Beretta, Jos Verstappen. Um fato marcante foi à volta ao “circo” da Mercedes-Benz.

A FIA, cujo presidente era Max Mosley, vetou para a temporada deste ano toda e qualquer ajuda ao piloto durante a condução, com isso a suspensão ativa (maravilha que a Williams (com ativa participação de um tal Nélson Piquet) levou mais de cinco anos para desenvolver e que lhe ajudou (e muito) a levar os títulos de 1992 e 1993), o diferencial autoblocante e auto ajustável, câmbio automático, acelerador eletrônico, controle de tração e até mesmo os freios ABS, ficaram de fora. Vale lembrar que O Pacto da Concórdia exigia que houvesse unanimidade dentre os proprietários de escuderias para ratificar uma alteração tão radical das regras como a que ocorreu naquele ano. O reabastecimento, proibido por 10 anos, foi novamente permitido.

O tricampeão Ayrton Senna considerou a Williams como o melhor carro e fez de tudo para mudar de equipe. Sonhando com o tetracampeonato, ocupou o lugar de Alain Prost, mas sem a suspensão ativa, a vida já não estava tão fácil assim e não terminou as três corridas consecutivas mesmo tendo sido pole position.  Ayrton Senna completava uma década na F1, tendo estreado numa Toleman em 1984 no GP do Brasil, passou também pela Lotus, McLaren e Williams. Em 1983, quem diria, fez seu primeiro teste na F1 pilotando um Williams. Sua vida foi interrompida no dia 1º de maio no GP de Ímola, no trágico acidente na curva Tamburello.

O advogado Max Mosley era o presidente da FIA. Tendo sido piloto e construtor (fundou a equipe March), substituiu Jean-Marie Balestre. Em 1994 a FIA contava com 100 milhões de filiados entre 126 automóveis clube em 105 países. À época contava com dois conselhos: O de Competição e o de Automobilismo Turismo e possuía 40 vice-presidentes.

Bernie Ecclestone era o presidente da FOCA. Foi atribuída a ele a transformação da F1 de esporte romântico em um negócio movimentador de milhões. Para se ter uma ideia, em 1994 para se transmitir os eventos, uma emissora de rádio deveria pagar US$120,000.00. Lembramos que, EUA, Áustria, Suécia e Holanda, por exemplo, não entraram no calendário porque não garantiram a entrada mínima de recursos.

* Colaboração: PV Zaidan 


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Três fatos em três semanas


Muita coisa aconteceu nestas ultimas três semanas no mundo. A epidemia do Ebola, a tragédia aérea que matou sete pessoas em Santos e entre elas o candidato a presidente do Brasil Eduardo Campos e vem à tona mais uma intolerância racial nos Estados Unidos entre tantos outros.

No automobilismo não foi diferente. Três fatos marcaram essas semanas, um triste, outro esperado e por fim uma surpresa que deixou o mundo da velocidade de cabelo em pé.

A tristeza vem de uma tragédia que aconteceu nos estados Unidos, onde o Tri campeão da Sprint Cup, Tony Stewart atropelou Kevin Ward Jr. que saiu do seu carro após uma colisão com o próprio Stewart, durante uma corrida de midgets, no Canandaigua Motorsport Park, em Syracusa, perto de Nova Iorque.


Uma tragédia já anunciada pela mania acintosa que os americanos têm de saírem do carro quando se sentem prejudicados nas corridas e reclamarem ainda na pista e com a corrida em andamento de quem os jogou pra fora da pista. O mais trágico disso tudo é que as atitudes anteriores de Stewart e suas declarações fazem com quê muitos pensem que foi de propósito o atropelamento. Eu particularmente prefiro acreditar em acidente e esperar que a polícia americana investigue  o que realmente aconteceu. O lado bom de toda tragédia (se é que podemos falar assim) é que medidas de segurança na Nascar onde corre Tony Stewart já foram tomadas. Agora quando houver algum acidente, o piloto deve permanecer dentro do carro até o resgate chegar. Vejam o vídeo do acidente. 






E a esperada vitória de Rubens Barrichello na stock car aconteceu, e já em dose dupla. Ganhou a corrida do milhão em grande estilo e no ultimo domingo faturou a primeira corrida da rodada dupla em Cascavel. O talento nato que Rubinho tem para correr pegou o jeito do Stock car e agora, segura o Rubinho. Por mais que tentem denegrir sua imagem com piadas, Barrichello vai mostrando que ainda tem muita lenha pra queimar. Pois é, enquanto os cães ladram o Rubinho vence.  

Quem não teve a oportunidade de ver a corrida do milhão, segue o vídeo.  Não percam, a briga entre Barrichello e Thiago Camilo foi sensacional. 






Para finalizar, a surpresa bomba do automobilismo mundial em 2014. Nas férias de verão da Formula 1, muita coisa foi dita: Alonso na Williams, Bottas na Mclaren, Vettel na Mercedes, Vettel na Ferrari, Button na Williams entre tantas. Mas nada se compara ao que foi revelado ontem. Em uma ousada aposta, a Toro Roso anunciou que Max Verstappen de apenas 16 anos será o titular da equipe em 2015 ao lado do russo Kvyat. Pior para Vergne que em dois anos perdeu a briga pela vaga da Red Bull para Ricciardo e agora perde seu assento na Toro Rosso.

Mas, o que se espera dessa jogada? Será mesmo que o filho de Jos Verstappen é assim tão talentoso para que sua chegada a Formula 1 seja tão precoce? Vamos há alguns números: Nelson Piquet chegou a Formula 1 aos 27 anos, Ayrton Senna aos 24, o Tetra campeão Vettel aos 21 e até a estreia de Max Verstappen, o recorde pertence a Jaime Alguersuari que correu aos 19 anos. Alguersuari teve problemas com a super licença e muitos colocaram em dúvida sua habilidade para conduzir um carro de Formula 1 pela sua inexperiência na época.  



Verstappen ultrapassa o português Félix da Costa e o espanhol Carlos Sainz jr. tidos como pilotos promissores na luta por um lugar no Grid. Com uma carreira meteórica Max andou de kart em 2013, e agora em 2014 compete na Formula 3.  Abaixo o vídeo da sua estreia em um Formula 1 e sua entrevista como piloto anunciado da Toro Rosso.






Bom, pelo jeito a Formula 1 corre para ser um campeonato sub-20 de pilotos. 


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Saindo do BOX

Aqui começa uma nova etapa da paixão pelo automobilismo, a etapa do blog paixão a motor. Neste espaço, eu e alguns colaboradores pretendemos prover aos que gostam do esporte a motor textos, fotos, noticias e opiniões sobre fatos atuais e passados, alternando informação com opinião. 

O blog será basicamente dividido em textos pontuais e três seções específicas. Os textos pontuais falaram sobre o presente e os acontecimentos do mundo da roda veloz. Já as seções: Museu da roda, figurantes do cockpit e baú da velocidade, trarão artigos e textos elaborados e segmentados. 

O Museu da Roda será uma seção onde teremos textos sobre carros, motos e demais veículos antigos que marcaram época, fizeram sucesso e/ou são ainda objeto de romantismo e desejo. A intenção é resgatar as lembranças boas que cada modelo proporcionou e apresentar aos que não conheceram as famosas máquinas possantes de um passado não tão distante, mas talvez ignorado ou esquecido por muitos. 

Na seção Figurantes do cockpit, falaremos sobre os diversos pilotos de corrida que fizeram parte da história. Se você quer saber sobre Fangio, Piquet, Prost e Senna, essa não é a seção adequada. Aqui só falaremos dos esquecidos, dos que tiveram a glória de correr e se arriscar, mas não ganharam nada. Sim meus amigos, para ter um vencedor tem que existir no mínimo dois competidores e os que não levaram os louros da fama serão lembrados por nós. 

No baú da velocidade, vocês encontraram textos sobre a história do automobilismo com no mínimo 20 anos do ano atual, ou seja, estamos em 2014 e falaremos de 1994 para trás e assim sucessivamente. 
    

Este não é um blog de jornalista, mas será escrito por quem assisti e  acompanha com fervor o automobilismo. No meu caso, são mais de 40 anos de amor a velocidade. O relato mais antigo que tenho sobre essa relação, foi de uma tia dizendo que aos três anos de idade eu assistia as corridas no colo do meu pai e pulava para gritar o nome de Emerson Fittipaldi. Esta relação evoluiu com o passar do tempo, desde as corridas de carrinho de rolimã, passando pelo kart ocasional, até as idas aos autódromos para ver de perto os grandes nomes e marcas do automobilismo.  

Enfim, espero que gostem do que vem por ai e apreciem o pouco do universo a motor por nós contemplado.