domingo, 28 de setembro de 2014

O sonho ainda vivo.




O coração ainda bate, o amor ainda existe, a vontade de se divertir é grande, o desejo de marcar o nome na história (se é que isso importa) incomoda. Caiu com uma bomba a noticia que Rubens Barrichello depois de três anos ainda quer voltar a Formula um. Dizem que ele teria se oferecido para ser o piloto reserva da Mercedes esse ano, e em 2015, caso a regra dos 3 carros por equipe vingue, ser o terceiro piloto. Se ele fez isso, foi uma bela jogada de quem ainda se sente dentro do mercado da F1. Começou na Itália o boato e dizem,  a globo não gostou, aliás, muita gente mais que a globo não gostou.

A globo não gostou, por que? Porque pode perder sua facilidade e performance nas entrevistas no Grid? Pelo fato de vê-lo vencendo da Stock e isso atrair mais publico?  Por achar que está na hora de limpar a fama de “pé de chinelo” propagado por seus programas humorísticos e os papagaios de plantão? Ou por achar que é dona do destino do seu funcionário? Barrichello, não é convidado especial,  tem contrato.

E os demias? Sejam brasileiros ou estrangeiros? Sim, a adoração e rejeição é internacional. O que incomoda a muitos a volta de Barrichello? Frustrações passadas? No Brasil um fato notório é que desde sua saída o GP Brasil de F1 não tem todos os ingressos vendidos. Coincidência ou seus fãs que não são poucos deixaram de ir assistir a corrida?

Mas vamos além, na lei da selva, para se ter novos machos dominantes é preciso matar os velhos e  a presença de Barrichello impediria isso, a renovação dos ciclos. Em uma empresa que trabalhei, existia um senhor de quase 70 anos, muitos não gostavam da sua postura,  muitos o achavam ultrapassado. A verdade era que a empresa ainda o mantinha na ativa  era porque ele dava resultado, era porque ele correspondia as expectativas depositadas na sua função. 

Particurlamente, acho que foi bola fora. São três anos fora da F1. Um na Indy e dois de Stock Car. A vida é feita de ciclos, alguns impostos, outros planejados e os de vontade própria. Se é vontade de Rubens Barrichello não fazer a passagem para algo que talvez lhe seja melhor, se ele ainda se acha competitivo e ainda acredita que tem mercado no circo do F1,  quem somos nós para julgá-lo. A resposta ele terá das equipes que ele procurou ou procurará. O sim, o não ou o silêncio seguido de um tapinha nas costas recebido, serão de fato a resposta que ele terá para analisar se o seu ciclo na F1 acabou ou não.    

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Dèjá Vu Cingapuriano

Estava pensando em como descrever o grande prêmio de Cingapura de F1 que foi disputado no ultimo domingo e realmente não sabia como começar, então fui ver o que tinha escrito nos dois últimos anos no blog da TSN sobre a corrida em Cingapura e a conclusão é que parece um dèjá vu cingapuriano.  

As palavras abaixo  foram escritas em 2012 e 2013 sobre a corrida em Cingapura:

O GP de Cingapura é uma coisa de louco. Os pilotos adoram, os jornalistas adoram, as imagens são lindas, os efeitos noturnos magníficos, os fogos no fim da corrida parecem passagem de ano, mas e a corrida? A corrida é uma das mais chatas do calendário, isso se não for a mais chata. Foram duas horas de desfile de carros, parece até corrida de autorama. Que coisa não? fazer um espetáculo lindo de imagens, porém, sem nenhuma emoção forte.

Comparo o Gp de Cingapura como aquela linda mulher de corpo escultural e beleza impar, tipo miss, que você se apaixona e faz tudo para viver um romance junto a ela, fica imaginando várias fantasias, momentos a dois e quando você consegue um encontro, o sexo é uma droga, sem vontade e sem química nenhuma.

Pois é, a bela cidade de Cingapura, mais uma vez, proporcionou uma corrida sem muita emoção, sem sal. Mais uma vez precisou de um safety car na pista, para termos um pouco de emoção, isto para quem não cochilou durante as duas horas de corrida”



 Foto @RetoF1

Como medir a emoção de uma corrida? Simples, cada um pode ter o seu indicador. O meu, é o numero de mensagens trocadas no grupo do what’s Up em todos os GP’s. No ultimo domingo, a maioria do tempo foi um silêncio absoluto. Nem as pérolas do Galvão surtiram efeito.

Hamilton outra vez fez a Pole, a volta mais rápida e venceu de ponta a ponta, perdendo a primeira posição apenas quando fez a ultima troca, mas não demorou muito a retomar a dianteira ao superar Vettel. Vi no pódio da foto acima, um Hamilton emocionado com os olhos brilhando pela difícil vitória. Vitória limpa e com um bônus, já que Rosberg, o segundo no Grid de largada deu treze voltas e abandonou. Agora, Rosberg é segundo no campeonato. Vettel e Ricciardo completaram o pódio. Alonso foi o quarto e Massa o quinto. Assim a corrida terminou quase igual ao treino de classificação, de Hamilton a Massa, só a quebra de Rosberg e Vettel à frente de Ricciardo que mudaram o panorama.  

Sobre Massa, tenho que destacar o excelente trabalho que fez com os pneus, fazendo-os durarem até a bandeirada e provocando a ira dos caçadores do politicamente correto. Massa ao fim da prova disparou um “Dirigi igual a uma vovó” que não soou bem para alguns. Galvão foi o primeiro a reclamar da frase, depois, li vários comentários criticando a frase do piloto brasileiro. Digo apenas que entendi o que Massa quis dizer, Massa usou a experiência e a segurança de uma vovó para completar a prova. Conduziu com habilidade e conhecimento que só a experiência adquirida com o tempo faz o “impossível” dito pelo diretor esportivo da Pirelli acontecer. Se pilotasse como um netinho, ficaria a ver navios como seu companheiro Bottas, que na ultima volta foi perdendo posições até ficar fora da zona de pontuação. Portanto, não vi em nenhum momento ofensa ou bulliyng com as vovós, ou alguém ai conhece uma vovó Schumacher?

Para finalizar só destacar a boa corrida de Vergne que largou em 12º e chegou em 6º. Tem que mostrar serviço para tentar uma vaga em 2015, já que seu lugar na Toro Rosso já está ocupado por Verstappen.

Agora é esperar o Grande Prêmio do Japão no primeiro fim de semana de outubro para novas emoções. Suzuka promete. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Temporada 1994 parte III O GP DE SAN MARINO

Chegamos ao grande prêmio divisor de águas da F1 moderna. Em meio à tantas mudanças no regulamento que ocorreram, naquele fim de semana alguma coisa estava errada. Além disso, o GP de San Marino mostrou uma faceta cruel, dura e amarga. O show que começa tem que terminar. E o show foi completo. Apesar das duas mortes, quase três, teve pole, corrida, volta mais rápida, podio e  hino. A etapa do show foi completa. Pelo menos as mortes não foram em vão, vamos aos fatos.

O 14º GP de San Marino foi disputado em 1º de maio de 1994 no autódromo Enzo e Dino Ferrari situado em Imola, Itália e marcado por graves acidentes, está entre os mais trágicos da história da F1. À época possuía 4.933 km de extensão que, em 58 voltas perfazia 286,114 Km.

Rubens Barrichello, que era o segundo colocado no campeonato de pilotos com sete pontos, quase morreu num acidente nos treinos da sexta feira batendo numa elevação a 225 km/h o que fez seu Jordan literalmente voar girando várias vezes até parar virado sobre duas rodas. Na sessão de treinos de classificação (sábado), Roland Ratzenberger acabou passando direto pela curva Villeneuve a 306 Km/h e acabou batendo forte na barreira de concreto. Faleceu em decorrência de fraturas múltiplas. Uma volta antes havia subido numa elevação e acredita-se que tenha danificado o aerofólio dianteiro. Em vez de parar decidiu abrir mais uma volta rápida. Ayrton Senna emplacou mais uma pole position com o tempo de 1’21”548, mesmo tendo abandonado os treinos após o acidente de Ratzenberger. Diz-se que Ayrton foi conversar com o médico chefe Sid Watkins e acabou chorando copiosamente quando soube da morte de Ratzenberger. O médico sugeriu que Senna largasse tudo e fosse aproveitar tudo o que já havia conquistado, mas Senna recusou. 

O grid ficou com Ayrton Senna em 1º, Michael Schumacher em 2º, Gerard Berger em 3º, Damon Hill em 4º, J. J. Letho em 5º e Nicola Larini em 6º. Duas Williams, duas Benneton e duas Ferrari. Dessa vez Barrichello não se qualificou por conta de seu grave acidente e Christian Fittipaldi ficou apenas em 16º.

Já no início da prova, Pedro Lamy atingiu a Bennetton de Letho que parou no grid de largada. A pancada lançou pedaços dos carros no público causando ferimentos em nove espectadores. Essa batida acabou forçando a entrada do safety car. Após a relargada, Senna correria apenas mais uma volta, pois acabou batendo a 211Km/h na curva Tamburello, a mesma onde Nélson Piquet tivera traumatismo craniano, sete anos antes, também no dia 1º de maio. A corrida foi interrompida, mas Érik Comas acabou seguindo mesmo com as bandeiras vermelhas causando desespero nos comissários e equipes médicas que atendiam Ayrton Senna. Senna foi levado de helicóptero para o hospital de Bologna, que antes já havia recebido Barrichello e Ratzenberger. A corrida reiniciou após 37 minutos. Como se não fosse suficiente, na volta 48 a Minardi de Michele Alboreto perde uma roda ao sair do pit stop ferindo quatro mecânicos, dois da Lotus e dois da Ferrari.

Mais para o final da prova, a batalha pelo 3º lugar foi algo de emocionante, visto que Hakkinen começou a perder potência permitindo a aproximação de Karl Wendlinger que quase conseguiu seu primeiro pódio. Mas Hakkinen conseguiu segurar seus ataques e não lhe concedeu essa alegria.












A corrida acabou com a vitória de Michael Schumacher com 1h28’28”.642 conseguindo dar uma volta já sobre o 5º colocado, Ukyo Katayama, que pilotava uma Tyrrel com motor Yamaha. Nicola Larini acabou em 2º, Mika Hakkinen em 3º, Karl Wendlinger em 4º e Damon Hill em 6º. Christian Fittipaldi acabou em 13º. Ayrton Senna ainda acabaria em 22º, à frente de Érik Comas, J. J. Letho, Pedro Lamy, Roland Ratzenberger, Paul Belmondo e Rubens Barrichello – porém terminaria o campeonato com 0 pontos. Nicola Larini foi assim o último piloto italiano a marcar pontos com uma Ferrari e devolveria o lugar a Jean Alesi no GP seguinte, em Mônaco.

Ao final, o campeonato ficou com Michael Schumacher em primeiro com 30 pontos, Damon Hill e Rubens Barrichello com 7 pontos, Gerard Berger e Nicola Larini com 6 pontos.

Duas horas e vinte minutos após a bandeirada final, sai o anúncio da morte de Ayrton Senna. A sua morte cerebral foi anunciada às 13h40 de domingo, horário de Brasília. Quarenta minutos mais tarde, foi confirmada a sua morte.

DIVISOR DE ÁGUAS

Sempre gostei de F1 e sempre que posso assisto aos grandes prêmios. Infelizmente lembro-me de ter visto a morte de Ayrton Senna ao vivo na TV. Estava assistindo no meu valente televisor de 14” CRT que funciona até hoje. A geradora não deixou de mostrar o carro destruído e a ação dos socorristas que na tentativa de realizar o salvamento acabaram encobrindo o corpo do piloto, caso contrário as cenas seriam muito mais trágicas e chocantes. Lembro bem da comoção que tomou conta do Brasil daquele momento em diante, de todas as emissoras comentando, algumas até mesmo alterando suas programações e da emoção ter durado vários dias.

Uma pergunta surgiu por consequência: Quem representaria o Brasil daquele momento em diante? Christian Fittipaldi, filho do também piloto de Fórmula 1 Wilson Fittipaldi e sobrinho de Émerson Fittipaldi, bicampeão mundial também na F1? Ou Rubens Barrichello que vinha se saindo melhor e havia sido brilhante na F3?

A vida continuou, o campeonato seguiu e continuei acompanhando a categoria, mas a multidão de seguidores se dispersou. Achavam que a F1 havia perdido a graça, que o Brasil não ganhava mais nada, que era legal na época do Ayrton, etc. etc. O que Ayrton Senna conseguiu despertar no Brasil e no mundo foi muito maior que a F1. Não me lembro de ninguém ter conseguido isso antes na categoria. O Brasil mesmo já havia conquistado 5 outros campeonatos que não mereceram tamanha torcida ou vibração. 


Será que a FIA sentiu esse impacto? Vamos acompanhar com o andar do campeonato de 1994 em diante que aqui relataremos.


*Colaboração e texto: PV Zaidan 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Independência ou Morte

A 13º etapa do mundial de Fórmula 1 foi realizada no ultimo domingo,  dia 07/07/14. No dia em que no Brasil se comemora a independência. 192 anos depois do grito de dom Pedro I as margens plácidas do rio Ipiranga. Etapa essa que  fez jus ao grito de independência ou Morte dito pelo Imperador.

Os acontecimentos da corrida em Monza que alternou um início movimentado, algumas voltas sonolentas e uma terceira parte bravíssima em um alto e bom idioma italiano, me levam a pensar como cada um desses fatos refletiu ou refletirá no desfecho do campeonato.

Hamilton venceu e gritou independência contra os fatos que o tiraram 3 vitórias ou melhores pontuações nas ultimas 3 provas. Largando de trás na Alemanha e Hungria, além ser tocado intencionalmente na Bélgica (é o que Rosberg diz agora) lhe trouxe uma série de resultados que só e apenas uma vitória com  direito a barba, cabelo e bigode (Pole, melhor Volta e vitória) poderia fazer o inglês se sentir realizado e vivo no campeonato. Campeonato este que ainda pende nos números, apenas nos números, para o lado de Rosberg. O inglês porém, com sua sede de vitória e sua velocidade lutará até o fim.












Foto @RetoF1


O que falar de Rosberg o segundo colocado da corrida e primeiro do campeonato. Se fingindo de morto ou cavando a sua própria cova? Já na Bélgica com o toque intencional admitido mostrou uma faceta que ninguém conhecia e agora erra duas vezes no mesmo ponto. Fugiu da briga pela posição ou deu a vitória de presente a Hamilton (vitória mais que merecida)?

 Muitas foram as teorias da conspiração sobre ele ter entregado a ponta para compensar o GP da Bélgica, mas, mais uma vez acredito em erro, mesmo que seja um erro calculado. Rosberg só precisa administrar as ultimas 6 etapas, que será campeão na corrida com pontos dobrados. Portando, cavar a morte pode ser um grito de independência tardio, lá em Abu Dabhi. 

O terceiro colocado foi o brasileiro Felipe Massa. Terceiro lugar depois de mais de um ano sem subir ao pódio e desta vez sem “incompetências ou azares”. Massa fez uma corrida conservadora. Não dividiu curva, não tentou ultrapassagem sem margem de segurança e ainda contou com a má largada de Bottas para sacramentar seu bom resultado. Resultado esse que pode ser um grito de independência dos maus resultados ou apenas um ultimo suspiro antes de voltar ao que há muito tempo é sua normalidade, de sexto para trás. Honestamente, prefiro que seja seu grito de independência. 

A Ferrari, ah, a Ferrari. Equipe com a maior pompa do circulo da velocidade, se queda a cada temporada. E dessa vez morreu em casa. Atuação pífia. Boatos sobre a saída do seu presidente Luca de Montezemolo e a volta de Ross Brawn. Alonso quebrando depois de 29 corridas pontuando e um Kimi que brilhou na Bélgica, voltando a ser um coadjuvante. Triste fim, morrer em casa na frente dos Tifósis. A equipe com esse carro lento que agoniza em 2014 já deve estar pensando em renascer em 2015.

Por mais que não queiram admitir, por mais que os holofotes da TV não mostrem, a dupla Ricciardo e Bottas está mostrando o que é pilotagem esse ano. Se Riccardo já venceu três vezes, Bottas já merece no mínimo uma. O que pilotam esses guris.

Ricciardo vinha fazendo uma corrida morna, escondida como sempre, e quando se dá conta, lá está ele ultrapassando carros, dando X no Vettel,  marcando seu território. Fantástico ano do João sorrisão australiano. Se as coisas se aprumaram na Mercedes, pior para ele, caso contrário, Ricciardo pode  fazer história em 2014. 

Já Bottas é cada dia mais fenomenal. Não largou bem, alguns disseram que ele trocou de performance com seu companheiro de equipe em Monza, mas, o que se viu foi um verdadeiro show do finlandês. Ultrapassagens e mais ultrapassagens. Sua briga com Magnussen foi de arrepiar e cair  4º para 10º e voltar do 10º ao 4º em 53 voltas premiou a constante performance desse piloto arrojado. A Williams nessa crescente e a Red Bull voltando a normalidade, em 2016 a briga vai ser boa. Sim, 2016 (meu momento mãe Dinah).

Para finalizar, Perez e Button nos deram um bônus com um pega fantástico. Agora a próxima etapa é em Cingapura, lá a pole e o grid de classificação definem 80% da corrida. Bom, mas a próxima etapa são outros 500.   





quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Temporada 1994 parte II O GP DO PACÍFICO

A 45ª temporada de F1 teve sua segunda corrida em 17 de abril de 1994 em Aída, Japão, o I Grande Prêmio do Pacífico.  Novamente Ayrton Senna faria pole-position (sua 64ª) no circuito que à época possuía um traçado de 3,703Km com um tempo de 1’10”218. 

Foi uma corrida de 83 voltas o que resultaria em 307,349Km vencida pelo alemão Michael Schumacher em sua Benetton Ford. Schumacher tornou-se assim o melhor piloto alemão de todos os tempos com 40 GP disputados e 129 pontos em dois anos de categoria.  

*Foto da Internet

As grandes vedetes, no entanto, foram Rubens Barrichello, que conquistou seu primeiro podium e tornou-se o sétimo piloto brasileiro a realizar  este feito na F1, chegando em 3º lugar e Christian Fittipaldi em 4º lugar marcando assim 4 e 3 pontos respectivamente. Vale lembrar que Rubens levou uma volta do primeiro colocado, mas isso não é nada já que o 11º colocado - Ratzenberger que completou neste GP sua primeira e única corrida na F1– levou 5 voltas. Apenas o segundo colocado terminou na mesma volta do vencedor. O alemão Heinz-Harald Frentzen chegou em 5º e Érik Comas conseguiu chegar em 6º com uma Larrousse. 

Jean Alesi se machucou durante testes e cedeu seu lugar para Nicola Larini, que correu por apenas duas provas, mas foi – até os dias de hoje – o último piloto italiano a marcar pontos com uma Ferrari (2º em San Marino 94).

Gerard Berger fez uma corrida heroica, conseguindo levar a Ferrari cheia de problemas ao segundo lugar do pódio. Com 20cm a mais de comprimento em relação às outras escuderias, o carro levou desvantagem no traçado muito sinuoso. 

Barrichello saiu em oitavo, controlou magicamente a Jordan, chegou a ficar em segundo lugar nas voltas de 28 a 30, teve o motor apagado nos boxes na volta 63 e lutou contra o câmbio o tempo todo.  

Ayrton Senna errou de novo ainda na primeira volta, ou melhor, na primeira curva. Largou mal, patinou e acabou atingido por Mika Hakkinen sendo depois atingido por Larini.  Fim de prova para Senna que depois foi ao comissariado da FIA reclamar da grande quantidade de pilotos jovens no grid.


As boas posições de Rubens, Christian e Comas foram notícias melhores ainda para a FIA, visto que todas as alterações de regulamento visavam ao tão sonhado nivelamento das equipes e transformar o campeonato num duelo mais emocionante.

*Colaboração: PV Zaidan 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Temporada 1994 parte I GP BRASIL 1994

O XXIII GP do Brasil, realizado no autódromo José Carlos Pace, o Interlagos, São Paulo – SP, abriu o campeonato de F1 de 1994 no dia 27 de março e as equipes – como sempre, chegaram cheias de segredos e mistérios. Logo nas primeiras voltas dos treinos, a Benetton de Michael Schumacher mostrou que viera para dar trabalho. Ayrton Senna foi o pole position com 1´15”962 sendo que àquela época uma volta em Interlagos tinha 4,325Km. Foi uma corrida com 71 voltas ou 307,075Km, Michael Schumacher em 2º, Jean Alesi em 3º, Damon Hill em 4º, Heinz-Harald Frentzen em 5º, Gianni Morbidelli em 6º. Christian Fittipaldi saiu em 11º e Rubens Barrichello ficou em 14º.


O reabastecimento, “novidade” que voltava aos boxes, esteve rodeado de um clima tenso e pesado. Nós brasileiro colaboramos relaxando com a segurança na 23ª edição das Mil Milhas Brasileiras, realizada em janeiro, onde tivemos um incêndio nos boxes sem equipamentos de segurança suficientes e onde logo acima, o público tinha permissão para fumar à vontade. O saldo foi de um morto e alguns feridos. Mas o que realmente pesou para esse clima tenebroso relacionado ao reabastecimento foi um boato de que algumas escuderias iriam alterar a válvula limitadora de pressão (limitada a 2 bar). Sem alterações, 12 litros de combustível por segundo entrariam nos tanques dos bólidos nas paradas. Após o fim da corrida, as paradas para reabastecimento se tornariam uma atração a mais na competição.

Um fato interessante: Michael Schumacher foi entrevistado por ninguém menos que José Mogica Marins, o Zé do Caixão, para um jornal de São Paulo. Depois da entrevista e de tirar várias fotos com o futuro vencedor da corrida, nosso representante das trevas foi expulso do autódromo e teve suas credenciais recolhidas pelos comissários da FIA.

Apesar da visita sinistra, o GP foi vencido por Michael Schumacher com uma volta de vantagem sobre o segundo colocado, que também fez a volta mais rápida – 1’18”455, seguido por Damon Hill, Jean Alesi, Rubens Barrichello, Ukyo Katayama e Karl Wendlinger. O companheiro de equipe de Rubinho, Eddie Irvine, foi suspenso do GP do Pacífico por ter causado um acidente que envolveu Jos Verstappen, Eric Barnard e Martin Brundle e multado em US$10,000.00. Neste GP, Ukyo Katayama marcou seus primeiros pontos na F1. Ayrton Senna, completando 10 anos de F1, foi ultrapassado na 22ª volta por Michael Schumacher, que pilotava como um veterano um Benetton equipado com motor Ford-Zetec V8. Beneficiado por um pit-stop mais rápido, nem precisou se valer de sua costumeira audácia para assumir a ponta. O Ford V8 parecia consumir menos que o Renault V10, refletindo em pit-stop mais rápidos. Segundo o próprio Ayrton Senna, o erro foi dele mesmo. Seu pódio estava garantido, mas correndo no limite sem se interessar pelo segundo lugar, acelerou antes da hora na entrada da reta dos boxes, saiu de traseira e rodou. Quando o motor apagou na 57ª volta, terminou a corrida para ele.  Jean Alesi deixou a Ferrari cheia de esperanças fazendo uma ótima largada onde audaciosamente ultrapassou Schumacher e quase tomou a ponta de Senna. De nada valeu, visto que Schumacher recuperou a posição já na 2ª volta. Com essa briga pelo 2º lugar, Senna conseguiu abrir 4s de vantagem, mas já na 21ª volta Schumacher havia reduzido a diferença para menos de 1s, entrando nos boxes praticamente juntos e ali fazendo a ultrapassagem, sem riscos ou esforços.
A McLaren não marcou pontos. Seu inovador sistema de câmbio sem embreagem, mas não automático, apresentou problemas e o novo motor Peugeot estava longe do acerto ideal.

*Foto tirada da internet



Rubens Barrichello chegou em quarto deixando Wendlinger para trás enquanto seu colega, Eddie Irvine, acabou sendo o causador do único acidente sério na 34ª volta da prova e foi punido por isso.

*Colaboração: PV Zaidan