domingo, 30 de novembro de 2014

Obrigado Rubinho

Como diria o poeta Renato Russo: “Explicar o que ninguém consegue entender”.  Simplesmente isso, como se explica aquilo que ninguém vai entender? Talvez seja isso o que Rubens Barrichello tenta fazer após tantos anos e muitas “aposentadorias” divulgadas em seu nome sendo que elas jamais chegaram. 

Sim, ele tenta explicar aquilo que ninguém entende: Por que ele ainda corre? Por que ele simplesmente não para e vai pra casa curtir a vida com a família? Acho que hoje quem não entendia isso acabou por se não entender por completo, ao menos ter uma noção do que é. A alegria demonstrada ao final da corrida realizada em Curitiba foi algo que muito jovem de 20 anos de idade com toda certeza não possui e não consegue emanar ao conquistar.


 *Foto retirada da Internet

Desde os treinos no sábado, quando se deu o fim de classificação e a pole estava garantida, o clima nas arquibancadas era de: “será amanhã finalmente o grande dia?” 

Neste domingo, o clima era o mais positivo, desde bem antes dos motores começarem a roncar já se ouvia nas arquibancadas ensaios de “Rubinhoooo, Rubinhooo”, parecia que estávamos em Interlagos lá pelos anos de 2003, 2004, 2009, tamanha a empolgação. Logo via-se que, muitos estavam ali torcendo pelo nome Barrichello e não pela história Barrichello e tudo que ela representa no automobilismo brasileiro (mas tudo bem, festa é festa!). Tive a chance de conversar com dois irmãos que vieram de Joinville especialmente para ver Rubens, ornamentados de bonés, camisetas e muita esperança de comemorar assim como este torcedor que vos escreve. Eles disseram: “Estamos aqui por mais de 20 anos de zoação”

A corrida foi consideravelmente tensa nas arquibancadas, ainda mais após o óleo na pista na segunda volta e aí voltou a dúvida: “Será?”

O que posso dizer é que, a cada volta, a mão soava mais fria e o tempo não passava para terminar logo a corrida. Eu queria era comemorar. Porém, quando o cronômetro apontou mais 3 minutos, foi possível detectar quem realmente era aquele torcedor que assim como eu sofreu um bocado com piadas, zoações, tiradas de sarro, injurias e tudo o mais possível que sabemos foi relacionado ao nome de Rubens Barrichello durante esses mais de 20 anos. 

Foi fácil ver punhos serrados a cada volta, unhas sendo devoradas, bonés começarem a voar e claro, muitas lágrimas. Confesso que no momento da chegada estava com a visão embassada, as lágrimas já não me deixavam ver direito, mas foi um momento único, com toda a certeza, um momento que não se compara com nada que vivi em todos esses anos nas arquibancadas de um autódromo.

Ainda bem que posso escrever, pois se fosse para contar o que aconteceu não seria possível, a voz foi embora junto com o grito que estava entalado há tantos anos: É CAMPEÃO!!

A Rubens, mesmo sabendo que jamais chegarás a ler este texto, gostaria de dizer simplesmente: Obrigado! Obrigado por este momento, obrigado por proporcionar ao verdadeiro fã de automobilismo esta alegria sem tamanho, obrigado por ser esta figura ímpar e acima de tudo, obrigado, mas muito obrigado por continuar e nunca desistir. Continue tentando explicar o porque voce corre, tentando explicar o porque você não parou, tentando explicar o amor que você sente em correr, enfim, tentando explicar aquilo que quase ninguém consegue entender.


TEXTO: Nelsinho Bonetto 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Temporada 1994 parte VIII - O GP DA GRÃ BRETANHA

Chegamos à oitava corrida do mundial de 1994, o GP da Grã Bretanha, que foi disputado em Silverstone, Northampton, Inglaterra, no dia 10 de julho de 1994. À época, o circuito possuía 5.057 km, o que resultou em 60 voltas perfazendo um total de 303.420 km. Era a metade da temporada.

Esse circuito (imensamente alterado graças aos incidentes anteriores) já foi palco de grandes disputas na pista, mas essa corrida teve algo mais... acho até que foi uma das mais interessantes que já vi.

Michael Schumacher havia conseguido papar 66 dos 70 possíveis pontos até agora. 66 dos 70 possíveis. O que será que poderia acontecer para que ele perdesse a liderança? Nos treinos, na frente da sua torcida, Damon Hill tirou a pole position de Schumacher por 0,003 de segundo, mas e daí? Não seria a primeira vez que Michael sairia em segundo e essa diferença minúscula... sei não...

Berger também estava na disputa, mas teve um encontro com o muro na saída dos boxes e mesmo assim ficou em 3º, dois centésimos atrás. Nigel Mansell havia voltado para a IndyCar, mas era esperado. Ele só faria a F1 enquanto os calendários não conflitassem. Era bom ver o Barrichello fazer a Jordan andar, ele conseguiu sair em 6º. Olhando com mais atenção podemos ver que ele deixou uma McLaren e uma Benetton comendo poeira. Para quem estava com uma Jordan, e a outra só conseguiu o 12º lugar. Eu acho muito.

grid de largada ficou assim:

Damon Hill em 1º;
Michael Schumacher em 2º;
Gerard Berger em 3º;
Jean Alesi em 4º;
Mika Häkkinen em 5º;
Rubens Barrichello em 6º
Christian Fittipaldi em 20º

À espera da largada, volta de apresentação, não é que Schumacher ultrapassa Hill? Duas vezes?  Poucos repararam, mas os comissários aplicaram a pena de 5 segundos.  O alemão aguardou até a 17ª volta para entrar nos boxes. Quando todos achavam que os 5 segundos seriam cumpridos, eis que a parada foi apenas para reabastecimento e pimba! Desclassificado o primeiro colocado do mundial de pilotos! 

O comissariado aguardou/refletiu até a 21ª volta quando foi exibida a bandeira negra. Briatore, claro, esperneou na tentativa de reverter à decisão e com isso, Shumacher seguia na pista. Disse não ter visto a bandeira. Na volta 26, não é que ele entra nos boxes para pagar o stop-and-go? Seguiu na pista até o fim, na esperança dos gritos de Briatore surtirem algum efeito. Berger perdeu o motor na 32ª volta. 

A corrida foi bacana também nas outras brigas. Barrichello lutou contra Mika Häkkinen até o fim, quando bateram na última volta. Mika voltou à pista, mesmo com o carro bem quebrado. Barrichello, mais inteiro, foi para os boxes; Disseram que ele "esqueceu estar na última volta", mas talvez tenha tido outros motivos. Sei lá. Nunca saberemos até que o próprio apareça aqui para nos contar!


No fim, como acabou?


Damon Hill em 1º;
Michael Schumacher em 2º;
Jean Alesi em 3º;
Mika Häkkinen em 4º;
Rubens Barrichello em 5º;
David Coulthard em 6º;
Ukyo Katayama em 7º; 

Mas enfim, desqualificado Schumacher, segue nova classificação!

Damon Hill em 1º;
Michael Schumacher desclassificado; 
Jean Alesi em 2º;
Mika Häkkinen em 3º;
Rubens Barrichello em 4º;
David Coulthard em 5º;
Ukyo Katayama em 6º; 

Christian Fittipaldi em 9º


Pô gente! Christian Fittipaldi saiu em 20º e chegou em 9º! Bela corrida!

E não é que Schumacher subiu mesmo no pódio? 



No fim das contas, sem trocadilhos, Schumacher e Briatore levaram pra casa uma multa de US$ 500,000 e o banimento pelas próximas duas provas. Vocês lembram né? O presidente da FIA era então Max Mosley, que já andava meio aborrecido com umas cartas que Briatore havia enviado à imprensa sobre os incidentes em Imola, mas isso não tem nada a ver... 
Ou tem?

Sabem quem é o garotinho que aparece ao lado da Princesa Diana curtindo a vitória de Hill?


Príncipe Harry, claro!

domingo, 23 de novembro de 2014

Help Wanted - III

Em 2015 o GP da Grã Bretanha será em Silverstone, de 03 a 05 de julho.

E as vagas já estão abertas! Que tal trabalhar lá, faturar uma pratinha e ainda ver de perto os bólidos e os grandes pilotos do mundial? 

Candidate-se, e se for chamado, nos traga muitas fotos!

Aplique no site:

http://www.silverstone.co.uk/jobs/

Estamos torcendo por você!

sábado, 15 de novembro de 2014

O troféu da invasão

Enfim, parei, respirei e deixei as lembranças do GP Brasil 2014 virem a tona. Todo ano é uma novidade, todo ano uma surpresa diferente. Desde pole e vitória brasileira, titulo decidido na ultima volta, corridas alteradas pelo clima, Webber ao vento até os zerinhos de alguns pilotos.

O fato é que cada fim de semana intenso vivido no setor A de Interlagos, pede tempo para retomar o fôlego. Isto, Por quê? Porque é na arquibancada que você sente o pulsar da paixão. Esse olhar quase ninguém ainda percebeu, o olhar da arquibancada, das pessoas que sustentam o espetáculo. Diferente de outros esportes onde o publico vira destaque, no automobilismo durante o evento, somos meros espectadores.  

Para nós que vamos todos os anos, não existe mesmice. A felicidade e a decepção andam juntas, ainda bem que a primeira ganha da segunda. O que dizer do fato de presenciar a entrada de uma menina de quase 10 anos pela catraca junto com o pai e quando esta pisa do lado do dentro do autodromo solta um “UAUHH!”? O que falar do cara que leva a namorada pela primeira vez para Interlagos dizendo : “amor, você vai gostar”, e para infelicidade dele, ela gosta?

O que falar do relato de uma pessoa que depois de tanto tempo sentada na chuva ou no sol, bebendo e comendo, coisas ruins e caras, extravasa, juntando-se a multidão que invade a pista e relata o sonho da seguinte forma:

A pista que era o palco de uma linda luta de gigantes não esperava que no final das 71 voltas fosse também o palco de milhares de pessoas. Fãs apaixonados, loucos e sem noção, mas que apesar do êxtase de estarem pisando em solo "sagrado" em nenhum momento desrespeitaram o limite de espaço. Só provamos que somos sim, loucos e apaixonados por F1 e não insanos! O sentimento de estar no palco que foi e é de grandes nomes não dá para descrever, mas as imagens, gritos, cantos e choros que vi e senti lá ficarão para  sempre comigo! Interlagos, Muito Obrigada!”

Alguns não gostaram, mas milhares adoraram. Desde a organização que tentou disfarçar dizendo que a entrada foi permitida, passando pelo locutor oficial Galvão Bueno que na etapa de Imola já soltou um “como seria bom se isso acontecesse no Brasil” até o piloto Felipe Massa que na segunda feira disse que a emoção foi maior que em suas duas vitórias no Brasil, pois, ele não teve o calor da torcida como no ultimo domingo.  

Eu não invadi, mas diferente de outros, adorei ver o feito, fiquei cheio de inveja, vi as fotos dos meus amigos beijando o asfalto, deitados na pista, vi alegria e muita felicidade. Que em 2015 não precisemos do “alicatinho” que a Mariana Becker mencionou. Isto porque, Rosberg, Hamilton e Massa levaram seus troféus para casa, mas o maior de todo os troféus do GP Brasil 2014, o troféu da torcida, de quem faz a festa saindo da penumbra, assim como em 93 e assim como em vários lugares. Este troféu foi parar na mão de um tri campeão mundial, um tal de Niki Lauda.   





Contribuíram: Lara Carvalho e Renato Cabral 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Fórmula Mercedes

Olá pessoal,


Depois dos treinos para corrida deste domingo, eu quase quis comemorar a definitiva volta da Williams ao time de construtores de ponta, mas dos 05 primeiros colocados, 05 são powered by Mercedes e dos 10 primeiros, 06 carros. Se a Force-Índia desse uma forcinha...

Bem, vejam o histórico da Williams dos últimos anos:

2010 - 69 pontos
2011 - 5 pontos
2012 - 76 pontos
2013 - 5 pontos
2014 - (Até agora) - 238 pontos
2015 - Será que farão 05 pontos de novo para ficar cíclico?

Mas valeu a recuperação!

Grande Prêmio do Brasil 2014 – Qualifying
1 Nico Rosberg - Mercedes
2 Lewis Hamilton - Mercedes
3 Felipe Massa - Williams
4 Valtteri Bottas - Williams
5 Jenson Button - McLaren
6 Sebastian Vettel - Red Bull Racing
7 Kevin Magnussen - McLaren
8 Fernando Alonso - Ferrari
9 Daniel Ricciardo - Red Bull Racing
10 Kimi Räikkönen - Ferrari
11 Esteban Gutierrez - Sauber
12 Nico Hulkenberg - Force India
13 Adrian Sutil - Sauber
14 Daniil Kvyat - Toro Rosso
15 Romain Grosjean - Lotus
16 Jean-Eric Vergne - Toro Rosso
17 Sergio Perez - Force India
18 Pastor Maldonado - Lotus