sexta-feira, 22 de agosto de 2014

1994 A temporada que teima em não terminar


Dando início ao nosso Baú histórico, iremos falar sobre a temporada de 1994 da Fórmula 1. Temporada que teima em não querer terminar. Isto porque vira e mexe os saudosistas lembram-se de 1994 para tentar justificar os maus resultados brasileiros na pista. 

A trágica temporada que tirou a vida de dois pilotos num mesmo fim de semana também marcou até o momento o ultimo capítulo das mortes em pistas na Fórmula 1. Como falei em outro texto, existe um lado bom de tragédias, isto quando se aprende com elas e a Fórmula 1 aprendeu bastante com os acontecimentos do início da temporada. 



                                                     * Foto retirada da internet 


A temporada de 1994 marcou a despedida das equipes Lotus (que retornou à categoria em 2010) e Larrousse e a estreia das equipes Pacific Racing e Simtek. A pontuação dava 10 pontos para o primeiro colocado, 6 para o segundo, 4 para o terceiro, 3 para o quarto, 2 para o quinto e 1 para o sexto.  O campeonato contaria no início com três brasileiros, Ayrton Senna, Rubens Barrichello e Christian Fittipaldi. Estreariam na categoria Roland Ratzenberger, Heinz-Harald Frentzen, Olivier Panis, Olivier Beretta, Jos Verstappen. Um fato marcante foi à volta ao “circo” da Mercedes-Benz.

A FIA, cujo presidente era Max Mosley, vetou para a temporada deste ano toda e qualquer ajuda ao piloto durante a condução, com isso a suspensão ativa (maravilha que a Williams (com ativa participação de um tal Nélson Piquet) levou mais de cinco anos para desenvolver e que lhe ajudou (e muito) a levar os títulos de 1992 e 1993), o diferencial autoblocante e auto ajustável, câmbio automático, acelerador eletrônico, controle de tração e até mesmo os freios ABS, ficaram de fora. Vale lembrar que O Pacto da Concórdia exigia que houvesse unanimidade dentre os proprietários de escuderias para ratificar uma alteração tão radical das regras como a que ocorreu naquele ano. O reabastecimento, proibido por 10 anos, foi novamente permitido.

O tricampeão Ayrton Senna considerou a Williams como o melhor carro e fez de tudo para mudar de equipe. Sonhando com o tetracampeonato, ocupou o lugar de Alain Prost, mas sem a suspensão ativa, a vida já não estava tão fácil assim e não terminou as três corridas consecutivas mesmo tendo sido pole position.  Ayrton Senna completava uma década na F1, tendo estreado numa Toleman em 1984 no GP do Brasil, passou também pela Lotus, McLaren e Williams. Em 1983, quem diria, fez seu primeiro teste na F1 pilotando um Williams. Sua vida foi interrompida no dia 1º de maio no GP de Ímola, no trágico acidente na curva Tamburello.

O advogado Max Mosley era o presidente da FIA. Tendo sido piloto e construtor (fundou a equipe March), substituiu Jean-Marie Balestre. Em 1994 a FIA contava com 100 milhões de filiados entre 126 automóveis clube em 105 países. À época contava com dois conselhos: O de Competição e o de Automobilismo Turismo e possuía 40 vice-presidentes.

Bernie Ecclestone era o presidente da FOCA. Foi atribuída a ele a transformação da F1 de esporte romântico em um negócio movimentador de milhões. Para se ter uma ideia, em 1994 para se transmitir os eventos, uma emissora de rádio deveria pagar US$120,000.00. Lembramos que, EUA, Áustria, Suécia e Holanda, por exemplo, não entraram no calendário porque não garantiram a entrada mínima de recursos.

* Colaboração: PV Zaidan 


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