Sim, ele tenta explicar aquilo que ninguém entende: Por
que ele ainda corre? Por que ele simplesmente não para e vai pra casa curtir a
vida com a família? Acho que hoje quem não entendia isso acabou por se não entender
por completo, ao menos ter uma noção do que é. A alegria demonstrada ao final
da corrida realizada em Curitiba foi algo que muito jovem de 20 anos de idade
com toda certeza não possui e não consegue emanar ao conquistar.
*Foto retirada da Internet
Desde os treinos no sábado, quando se deu o fim de
classificação e a pole estava garantida, o clima nas arquibancadas era de:
“será amanhã finalmente o grande dia?”
Neste domingo, o clima era o mais positivo, desde bem
antes dos motores começarem a roncar já se ouvia nas arquibancadas ensaios de
“Rubinhoooo, Rubinhooo”, parecia que estávamos em Interlagos lá pelos anos de
2003, 2004, 2009, tamanha a empolgação. Logo via-se que, muitos estavam ali
torcendo pelo nome Barrichello e não pela história Barrichello e tudo que ela
representa no automobilismo brasileiro (mas tudo bem, festa é festa!). Tive a
chance de conversar com dois irmãos que vieram de Joinville especialmente para
ver Rubens, ornamentados de bonés, camisetas e muita esperança de comemorar assim
como este torcedor que vos escreve. Eles disseram: “Estamos aqui por mais de 20 anos
de zoação”
A corrida foi consideravelmente tensa nas arquibancadas,
ainda mais após o óleo na pista na segunda volta e aí voltou a dúvida:
“Será?”
O que posso dizer é
que, a cada volta, a mão soava mais fria e o tempo não passava para terminar
logo a corrida. Eu queria era comemorar. Porém, quando o cronômetro apontou
mais 3 minutos, foi possível detectar quem realmente era aquele torcedor que
assim como eu sofreu um bocado com piadas, zoações, tiradas de sarro, injurias
e tudo o mais possível que sabemos foi relacionado ao nome de Rubens
Barrichello durante esses mais de 20 anos.
Foi fácil ver punhos serrados a cada volta, unhas sendo
devoradas, bonés começarem a voar e claro, muitas lágrimas. Confesso que no
momento da chegada estava com a visão embassada, as lágrimas já não me deixavam
ver direito, mas foi um momento único, com toda a certeza, um momento que não
se compara com nada que vivi em todos esses anos nas arquibancadas de um
autódromo.
Ainda bem que posso escrever, pois se fosse para contar o
que aconteceu não seria possível, a voz foi embora junto com o grito que estava
entalado há tantos anos: É CAMPEÃO!!
A Rubens, mesmo sabendo que jamais chegarás a ler este texto,
gostaria de dizer simplesmente: Obrigado! Obrigado por este momento, obrigado por proporcionar ao
verdadeiro fã de automobilismo esta alegria sem tamanho, obrigado por ser esta
figura ímpar e acima de tudo, obrigado, mas muito obrigado por continuar e nunca
desistir. Continue tentando explicar o porque voce corre, tentando explicar o
porque você não parou, tentando explicar o amor que você sente em correr, enfim,
tentando explicar aquilo que quase ninguém consegue entender.
TEXTO: Nelsinho Bonetto

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