Enfim, parei, respirei e deixei as lembranças do GP
Brasil 2014 virem a tona. Todo ano é uma novidade, todo ano uma surpresa
diferente. Desde pole e vitória brasileira, titulo decidido na ultima volta,
corridas alteradas pelo clima, Webber ao vento até os zerinhos de alguns pilotos.
O fato é que cada fim de semana intenso vivido no setor A
de Interlagos, pede tempo para retomar o fôlego. Isto, Por quê? Porque é na
arquibancada que você sente o pulsar da paixão. Esse olhar quase ninguém ainda
percebeu, o olhar da arquibancada, das pessoas que sustentam o espetáculo.
Diferente de outros esportes onde o publico vira destaque, no automobilismo
durante o evento, somos meros espectadores.
Para nós que vamos todos os anos, não existe mesmice. A
felicidade e a decepção andam juntas, ainda bem que a primeira ganha da
segunda. O que dizer do fato de presenciar a entrada de uma menina de quase 10
anos pela catraca junto com o pai e quando esta pisa do lado do dentro do autodromo
solta um “UAUHH!”? O que falar do cara que leva a namorada pela primeira
vez para Interlagos dizendo : “amor, você vai gostar”, e para infelicidade
dele, ela gosta?
O que falar do relato de uma pessoa que depois de tanto
tempo sentada na chuva ou no sol, bebendo e comendo, coisas ruins e caras, extravasa,
juntando-se a multidão que invade a pista e relata o sonho da seguinte forma:
“A pista que era o
palco de uma linda luta de gigantes não esperava que no final das 71 voltas fosse
também o palco de milhares de pessoas. Fãs apaixonados, loucos e sem noção, mas
que apesar do êxtase de estarem pisando em solo "sagrado" em nenhum momento desrespeitaram o limite de
espaço. Só provamos que somos sim, loucos e apaixonados por F1 e não insanos! O
sentimento de estar no palco que foi e é de grandes nomes não dá para
descrever, mas as imagens, gritos, cantos e choros que vi e senti lá ficarão para
sempre comigo! Interlagos, Muito Obrigada!”
Alguns não gostaram, mas milhares adoraram. Desde a
organização que tentou disfarçar dizendo que a entrada foi permitida, passando
pelo locutor oficial Galvão Bueno que na etapa de Imola já soltou um “como
seria bom se isso acontecesse no Brasil” até o piloto Felipe Massa que na segunda
feira disse que a emoção foi maior que em suas duas vitórias no Brasil, pois,
ele não teve o calor da torcida como no ultimo domingo.
Eu não invadi, mas diferente de outros, adorei ver o
feito, fiquei cheio de inveja, vi as fotos dos meus amigos beijando o asfalto, deitados
na pista, vi alegria e muita felicidade. Que em 2015 não precisemos do “alicatinho” que a Mariana
Becker mencionou. Isto porque, Rosberg, Hamilton e Massa levaram seus troféus
para casa, mas o maior de todo os troféus do GP Brasil 2014, o troféu da
torcida, de quem faz a festa saindo da penumbra, assim como em 93 e assim como
em vários lugares. Este troféu foi parar na mão de um tri campeão mundial, um
tal de Niki Lauda.
Contribuíram: Lara Carvalho e Renato Cabral

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