O XXIII GP do Brasil, realizado no
autódromo José Carlos Pace, o Interlagos, São Paulo – SP, abriu o campeonato de
F1 de 1994 no dia 27 de março e as equipes – como sempre, chegaram cheias de
segredos e mistérios. Logo nas primeiras voltas dos treinos, a Benetton de
Michael Schumacher mostrou que viera para dar trabalho. Ayrton Senna foi o pole position com 1´15”962 sendo que
àquela época uma volta em Interlagos tinha 4,325Km. Foi uma corrida com 71
voltas ou 307,075Km, Michael Schumacher em 2º, Jean Alesi em 3º, Damon Hill em
4º, Heinz-Harald
Frentzen em 5º, Gianni Morbidelli em 6º. Christian Fittipaldi saiu em 11º e Rubens Barrichello ficou em
14º.
O reabastecimento, “novidade” que
voltava aos boxes, esteve rodeado de um clima tenso e pesado. Nós brasileiro
colaboramos relaxando com a segurança na 23ª edição das Mil Milhas Brasileiras,
realizada em janeiro, onde tivemos um incêndio nos boxes sem equipamentos de
segurança suficientes e onde logo acima, o público tinha permissão para fumar à
vontade. O saldo foi de um morto e alguns feridos. Mas o que realmente pesou
para esse clima tenebroso relacionado ao reabastecimento foi um boato de que
algumas escuderias iriam alterar a válvula limitadora de pressão (limitada a 2
bar). Sem alterações, 12 litros de combustível por segundo entrariam nos
tanques dos bólidos nas paradas. Após o fim da corrida, as paradas para
reabastecimento se tornariam uma atração a mais na competição.
Um fato interessante: Michael Schumacher
foi entrevistado por ninguém menos que José Mogica Marins, o Zé do Caixão, para
um jornal de São Paulo. Depois da entrevista e de tirar várias fotos com o
futuro vencedor da corrida, nosso representante das trevas foi expulso do
autódromo e teve suas credenciais recolhidas pelos comissários da FIA.
Apesar da visita sinistra, o GP foi
vencido por Michael Schumacher com uma volta de vantagem sobre o segundo
colocado, que também fez a volta mais rápida – 1’18”455, seguido por Damon
Hill, Jean Alesi, Rubens Barrichello, Ukyo Katayama e Karl Wendlinger. O
companheiro de equipe de Rubinho, Eddie Irvine, foi suspenso do GP do Pacífico
por ter causado um acidente que envolveu Jos Verstappen, Eric Barnard e Martin
Brundle e multado em US$10,000.00. Neste GP, Ukyo Katayama marcou seus
primeiros pontos na F1. Ayrton Senna, completando 10 anos de F1, foi
ultrapassado na 22ª volta por Michael Schumacher, que pilotava como um veterano
um Benetton equipado com motor Ford-Zetec V8. Beneficiado por um pit-stop mais rápido, nem precisou se
valer de sua costumeira audácia para assumir a ponta. O Ford V8 parecia
consumir menos que o Renault V10, refletindo em pit-stop mais rápidos. Segundo o próprio Ayrton Senna, o erro foi
dele mesmo. Seu pódio estava garantido, mas correndo no limite sem se
interessar pelo segundo lugar, acelerou antes da hora na entrada da reta dos
boxes, saiu de traseira e rodou. Quando o motor apagou na 57ª volta, terminou a
corrida para ele. Jean Alesi deixou a
Ferrari cheia de esperanças fazendo uma ótima largada onde audaciosamente
ultrapassou Schumacher e quase tomou a ponta de Senna. De nada valeu, visto que
Schumacher recuperou a posição já na 2ª volta. Com essa briga pelo 2º lugar,
Senna conseguiu abrir 4s de vantagem, mas já na 21ª volta Schumacher havia
reduzido a diferença para menos de 1s, entrando nos boxes praticamente juntos e
ali fazendo a ultrapassagem, sem riscos ou esforços.
A McLaren não marcou pontos. Seu
inovador sistema de câmbio sem embreagem, mas não automático, apresentou
problemas e o novo motor Peugeot estava longe do acerto ideal.
*Foto tirada da internet
Rubens Barrichello chegou em quarto
deixando Wendlinger para trás enquanto seu colega, Eddie Irvine, acabou sendo o
causador do único acidente sério na 34ª volta da prova e foi punido por isso.
*Colaboração: PV Zaidan

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